domingo, 31 de janeiro de 2010

Se tem um homem que me faz viajar ao Uruguai ele se chama Benedetti



Até os treze anos eu não sabia nada além de localizar o Uruguai no mapa. Lá em casa tinham muitos mapas e eu realmente tive intimidade com eles desde pequena. Fico bastante braba quando algum homem e, pior, alguma mulher, falam que nós, fêmeas da espécie humana, não sabem ler mapas. Eu sei sim, e me viro tranquilamente. Não que eu seja daquelas experts em orientação que sabem onde fica o norte à noite e com céu nublado, mas como leiga eu sei me virar.

No ano de 1999 eu, depois de minha mãe, me mudei para a cidade de Livramento. Nos seis meses em que eu vivi no Edifício Goiás, não conheci um vizinho qualquer, mas conheci a Cumbia, os uruguaios, o sotaque, falei para um catador de materiais recicláveis que eu queria ser escritora, fiz planos de explodir o banheiro da escola que estudava, tive uma amiga lésbica, tive muitos amigos filhos, por parte de mãe, de Livramento e, por parte de pai, de Rivera.

Todos os dias eu atravessava a rua e me aventurava nas praças de Sarandi. Numa tarde, foi na praça da terceira quadra da rua principal da fronteira, já para o lado uruguaio, que conheci Che Guevara. Era numa camiseta, e o hippie que tentou me vender (e conseguiu) ficou muitos minutos contando a vida do argentino.

Então que hoje, domingo e último dia de janeiro, estou com as malas prontas e a alma lavada para retornar à Rivera. Uruguai não se resume à Punta del Este, ou seja, cidades praianas que vendem em dólar, e freeshops de cidade fronteiriças. Quero ver, mesmo com as rotas bizarras que levam sempre a Montevideo antes de qualquer outra cidade, o que mais tem no Uruguai. Aos poucos eu vou contando para o blog e aos stalkers do mal (blé pra vocês) de plantão.

Visitarei a tumba de Mário Benedetti (e comprarei nos sebos vários outros livros seus), dançarei o ritmo afrouruguaio chamado Candombe e trarei na alma a sensação de ter deixado nas pratas daquele mar, entre Buenos Aires e Colonia, todas as feridas que o homem, como homem, sempre tem.

Em 2007, quando eu namorava o argentino (ops, desculpa aê), uruguaio Jalil, nós fomos ao show de Jorge Drexler em Montevideo. Se tudo der certo, e eu tiver dinheiro e coragem, irei ao farol que deu origem a uma de suas músicas mais belas ''12 segundos de oscuridad''. Você pode (digo DEVE) ouvir:


Un adiós y un besote bien grande a todos que quedam en el infierno de calor en Brasil.

ps: vou viajar sozinha, acho que não deixei bem claro isso. para viagens como essa, o melhor é estar com eu, eu mesma e Júlia.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Rumo ao Fórum Social Mundial

Ano passado eu fiquei cinco dias dentro de um micro ônibus (sem banheiro) rumo à Belém do Pará, onde rolaria o 9º Fórum Social Mundial. Passei um aperto danado. Agora o FSM voltou para a região que sediou sua primeira edição.

Assim, daqui a três horas vou subir num ônibus fretado pelo DCE/UFSM que levará uma penca de pessoas, com diversos objetivos, para o 10º Fórum Social Mundial. Esse ano a edição será na região metropolitana de Porto Alegre e o Acampamento Intercontinental da Juventude será num Distrito rural de Novo Hamburgo chamado Lomba Grande.

Lá, espero respirar ar puro e conhecer novas pessoas. Não irei acampar, pelo simples motivo que minha barraca (sim, a pobrezinha grenal e com quase duas décadas de existência) está desfalcada. Quando eu juntei minhas trouxas no Psicodália, numa corrida pela paz, eu acabei deixando algumas estacas que a prendem no chão, mas logo comprarei novas (se é que fabricam).

Em Nóia me hospedarei na minha madrinha, Lúcia, e vai ser uma baita mão na roda, pois esse alojamento vai me ajudar no deslocamento para Lomba Grande ou para Porto Alegre. Vai ser um corre corre descentralizado.

Pretendo conhecer ciclistas que vieram com suas companheiras bicicletas para Porto Alegre, de longe (como esses) ou de perto, e vou colaborar para a Cobertura Compartilhada da Agência FSM 10, com fotos e textos.


É isso aí, e aí vou eu.


Dia 29 eu retorno para Santa Maria e o Uruguai me espera. Alguns dias eu e eu mesma, eu e o que vier. Se alguns exalam as angústias da vida com um copo de cachaça ou com uma roda de samba, eu exalo as dolores com as possibilidades que nunca espero, mas que sempre surgem, de uma viagem.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

c´est fini

Após uma gestação hipertensa e com nascimento prematuro, aí está a versão final do trabalho de conclusão de curso. Como disse meu irmão há pouco após eu enviar o arquivo da monografia: os agradecimentos são as partes mais legais dos trabalhos acadêmicos. Aos que se consideram importantes (de forma positiva) na minha vida e não foram citados nominalmente, fiquem tranquilos, eu só tinha duas páginas para escrever tudo.