Dia 7 de novembro, pela manhã, estarei desembarcando em terras cariocas. Na bagagem, desta vez, prometo não encher minha mochila com roupas que sei que não vou usar. Assim, priorizarei as roupas do nosso verão de janeiro, chinelo e tênis, caderno e caneta, livros que têm leitura obrigatória para a conclusão da monografia (prazo de entrega final: um mês e duas semanas) e meu mp3 player com o último cd do Alice in Chains, Morphine e Yann Tiersen. Ah, sim, me esqueci dos presentes: Fardos e fardos da cerveja gaúcha Polar.
Quando chegar ao Rio de Janeiro, provavelmente eu nem acene para o Cristo Redentor ou passeie no bonde da Lapa, pois vou direto à rodoviária. O rumo? Uma cidade chamada Araruama, distante uma hora e tanto da capital. Na minha primeira visita ao interior do Rio de Janeiro, vou abraçar a baiana Jackie e o Gu, amigos que fiz nos encontros estudantis de História e que vão me hospedar no final de semana. O casal, na verdade, agora é um trio, pois o Tavinho nasceu e tem os olhos da mãe. Desculpa, Gustavo, mas é a verdade! :)
ACIMA: Automotriz da E. F. Maricá na plataforma da estação de Araruama, provavelmente anos 1940 (Acervo Marcelo Lordeiro)Para não dar despesa grande para o Nelson e Ana, no dia 10/11 eu rumo ao lar do meu amigo retirante do cerrado brasileiro, o Bolívar, que vai me hospedar até dia 15/11, quando retorno para o sul do país. Localizada no lendário e boêmio bairro de Copacabana, acho que vou passar ao menos uma vez pela Avenida Atlântica e ver os mosaicos brancos e pretos no calçadão. Na casa do Bolívar, haverá uma reunião com o meu querido Hugo e com a goiana Gabi.

Obviamente eu não vou ao RJ como mera turista endinheirada. O motivo profissional/acadêmico/ambicioso da minha viagem começa no dia 10/11: o 15º Curso Anual do Núcleo de Comunicação Piratininga. O local do curso é óbvio: Rua da Imprensa. Pertinho do Paço Imperial, da Cinelândia, do Museu Nacional de Belas Artes, do Centro Cultural Banco do Brasil e, para meu imenso prazer, do Mercado Popular da Uruguaiana. Nesse curso eu vou conhecer, ouvir e, se a timidez deixar, conversar, com pessoas que já li ou quis ler. Jornalistas do Le Monde Diplomatique, Vito Gianotti (não é jornalista por formação, aliás, não é formado em nada), Dênis de Moraes, Altamiro Borges e João Pedro Stédile são alguns deles. Fora aqueles que eu sei, por intuição ou obviedade, que vou conhecer.
Prometo não levar cuia nem chimarrão, já que quero evitar me fazer de entendedora da cultura gaudéria. Se mal tomo mate quando faz 4º em Santa Maria, não vai ser no Rio 40º que eu vou me aventurar. Peço encarecidamente aos cariocas que não tratem essa gaúcha mal. O sotaque é forte e do interior, e até falo de forma chula, mas isso não significa bairrismo. Favor não levar a mal, e nem confundir com ''orgulho besta gaúcho''. Vou com meus braços abertos e ouvidos atentos, esperançosa como sempre.
Dicas: Site que fala sobre a história e a precarização das estações ferroviárias do Brasil
http://www.estacoesferroviarias.com.br/



