segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Anais, Chico e Jorge: o triângulo amoroso que nem começou


Anais Nin era uma moça com os cabelos curtos e castanhos, vivia entre cartas e poesias. Queria ser escritora e apaixonada oficial. Sua proposta de vida era o amor. Queria se apaixonar, assim como Florbela, por todos, sem distinção. Sua missão era quantidade, queria ficar na memória de todos, numa ânsia de ser lembrada, como esses heróis políticos, ou como os escritores como Shakespeare. Então numa dessas noites festivas e solitárias, ela se apaixonou pelo Chico Buarque, que logo se apaixonaria por Jorge Amado (ou seria Ivete Sangalo?). Mas esse é o fim, o fim antes do fim. Se começarmos pelo fim, você não entende o que aconteceu com Anais. Mas algo eu, a narradora, já sei - ou melhor - não sei: O Chico vai ficar com Jorge? Mesmo eu, uma narradora metida a filha de Iemanjá e Xangô, não sei dizer.
Anais Nin um dia viajou com apenas uma mala de mão, pegou um avião e veio para a América. Achou o tempo meio seco, o pó muito vermelho, a terra muito grudenta. Reclamou do calor e entendeu a Carlota Joaquina, que quis se livrar até das últimas chamas de fogo do inferno. Suava seco e bebia cerveja gelada, coisa que aprendeu a degustar, só que em maior quantidade e em menor tempo que o vinho branco. Na América, pois já tinha trocado cartas com o Chico, conversou com aquele loiro dos olhos verdesazuis e se encantou com o sotaque e maneira calma - mas às vezes irritante - do menino dos caracóis falar. Ele tinha os dentes crus e grandes. Disso Anais não gostava. Ele também bebia muito e embora cantasse alguns sambas, ele dançava muito mal. Anais e Chico andavam sempre juntos e nessas noites secas e calorentas eles se trocaram corações, frases, músicas favoritas, confidências que todos já sabiam, se amavam em letras.
Caminhavam com a luz da lua e dos postes amarelos e Anais encontrou o Jorge, que meio sóbrio demais, foi apresentado ao Chico. Ela lembra da frase introdutória: Não é possível que o Chico ainda não conheça o Jorge.
-Então conheço o Chico.
-Então conheço o Jorge.
Pra lá, mais pra cá, mais pra lá, mais pra aqui. Eles conversaram. E embora incríveis discrepâncias eram vividas pelos dois, eles tinham, forçando a lupa ocular, algo em comum. E coisas em comum e em sintonia era o que Chico queria mais em alguém.
E os dois juntaram-se. E tornou-se Chico e Jorge. Anais ficou renegada em sua vitória mal vista. Serenamente juntou seus trapos e voltou a Eurásia, onde comunicava-se em cartas ainda com Chico. Quis-lhe beijar os lábios e o que encontrou foram espadas. Jorge quis beijar os lábios de Anais que muito triste só pensava nos lábios grandes e duros de outro zé alguém. Escreveu e escreveu, até os dedos formarem um calo que ela apelidou de "Chico". Abandonou a escrita. Hoje vive de curiosidade e contemplação. Faz classes de português para afinar a comunicação com Chico. Sim, ela ainda crê no Chico. Esse que dorme com Jorge, numa reminescência do que um dia chamaram de amor.
Anaïs hoje, além do olhar contemplativo e de algumas lágrimas que caem de seus olhos, já sabe dizer em português: meu coração dói. Fala ainda meio ü e ï com biquinho franco. Ela passeia de bicicleta todos os dias e comprou um carro 74, mas ainda não sabe dirigir. Sobrevive vendendo artesanato dos americanos a preços absurdos porque só os macacos podem transformar suas orelhas em brincos. Isso ela viu, com seus olhos castanhos.

6 suspiraram comigo:

  1. dizem os da geometria q a soma dos angulos de 2 catetos eh igual ao quadrado da hipotenusa. pra uns faz sentido, pra outros nao. mas, no quadro, se a arvore ficou do outro lado da grande agua, parece q tem umas flores e inclusive 4 rosas, o q jah da historia

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  2. nunca, nem no que ja li de anais, havia me reconhecido tanto com ela!!!

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  3. ow, muito bom sem dúvida uma bela historia, inclusive nunca faria a relação de Anais com Chico...hehe...vou continuar a visitar.
    bjão julia

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  4. texto maravilhoso, como de costume, apesar de eu falhar em entendê-lo completamente X}~~

    Gosto que sempre que venho aqui o lugar tá com cara diferente :}

    saudade ;*

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  5. Já eu tenho uma certa dificuldade de assimliar as caras novas...
    Quero o livro pra ler,antes de deixar-nos.

    e é claro que vou te visitar
    onde estiveres
    estarei

    saudades

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  6. Viajando nesta blogosfera, baixei âncoras, aqui, para descansar!
    Acabei descobrindo o paraíso...
    Teu texto é lindo, faz a gente sentir pena dos nossos!
    Virei fã.
    Beijos...

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